Hoje resolvi tomar vergonha na cara e resolvi ver qual foi a minha nota no ENEM.
| Nota de conhecimentos gerais (A): | 92.06 | Nota da redação (B): | 60.00 |
Que jóia não? Um escritor que se julga talentoso com 60% na redação.
Bem n verdade eu me orgulho muito desse resultado. Isso quer dizer que eu sei pensar. Porque eu fugi propositalmente do tema por achar que ele é uma coisa idiota que já foi debatida a exaustão.
A promoção da igualdade é uma grande piada. A gente gasta tempo e dinheiro com campanhas a favor da diversidade cultural porque é bonito e ético, porque todo mundo quer ser bonzinho, porque todo mundo tem uma imagem a zelar. Nenhum político ou apresentador de TV tem coragem de dizer que não gosta da cultura popular.
POIS EU NÃO GOSTO! E isso não tem nada a ver com não a reconhecer como cultura legítima que tem significado para seu grupo social ajudando a formar identidade. Tem a ver com eu não gostar.
Virou um grande circo de interesses onde a hipocrisia faz com que se vá ao morro ouvir pagode mas em casa a empregada negra (porque preta é politicamente incorreto e isso é um escândalo intolerável) dorme em um quarto de 2×3 e recebe salário mínimo.
A academia se aproveita da massa pra dizer que a cultura popular é ótima enquanto continua ouvindo Jazz e MPB. Os políticos se aproveitam enquanto continuam a colocar impostos sobre salário e consumo ao invés de propriedade e mídia se aproveita transformando esses exóticos em quadros pitorescos do Fantástico para que o Brasil da Av Paulista conheça esses estrangeiros. Não sei porque mas acho que as pessoas que aparecem no Minha Periferia e quadros semelhantes se parecem muito com animais em um zoológico. Estranhos, Exóticos e responsáveis por momentos de divertimento para os cidadãos na nossa plutocracia.
A igualdade está um passo além. Está em todas as pessoas receberem bem. É comum ver pessoas reclamando que um pedreiro ganha dois ou três mil reais por mês.
Pois eu acho pouco. E acho menos ainda o que eu recebo. E menos ainda o que os professores recebem. E menos ainda o que os lixeiros recebem.
Enquanto o brasil não começar a fazer campanhas não pela diversidade cultural, mas pela igualdade social não vamos sair daqui.
Pagar um salário mínimo para uma pessoa devia ser considerado imoral, mas não é. Mas falar mal do pagode de quem ganha um salário mínimo é. Por que? Porque não existe interesse de ninguém um diversidade cultural, mas em autopromoção. E falar que o “problema nacional” que é tema da redação do ENEM é uma soma de besteira e hipocrisia só vai me render nota baixa. Mas dane-se.