Há alguns dias fui acusado, nos comentários daqui de ser machista.
Bem independente disso, pretendo escrever esse post de comemoração do dia oito de março.
E como já adiantei vou falar de Violência Simbólica (ou violência travestida que faz seu trotoir, se preferir)
Piere Bourdieu é um marxista francês que estudava o que os marxistas costumam chamar de luta ou guerra ideológica.
Basicamente ele afirma que a educação é uma forma de violência simbólica, uma vez que anula o ser humano e o torna um objeto que se enquadra na sociedade. A Educação, assim como os meios de repressão como leis e prisão mantém a classe dominada em seu devido lugar.
Mas isso é um palavrório revolucionário de um marxista do século passado.
A questão, é a mesma apontada por Aldous Huxley em admirável mundo novo. As pessoas não querem ser livres, aliás sequer percebem que estão presas.
É o que acontece hoje. Existe uma gigantesca violência simbólica que faz com que uma classe seja oprimida sem perceber.
E com isso quero fugir um pouco do tema recorrente da ditadura da beleza. Acho que tudo que havia para dizer sobre isso já o foi (ou vai ser hoje) Quero falar da atitude diante do trabalho e do amor.
Em primeiro lugar. É difícil acreditar no número de donas de casa que existem. Quanto mais na periferia mais.
Inúmeras mulheres que sequer pensam em trabalhar. Mas adivinha, porque foram criadas para isso, não porque achem que criar os filhos é algo que se faça em horário integral. Afinal de contas, nas periferias pobres onde estão, quantas delas tem outra alternativa a não ser obedecer ao costume, que para elas é a ordem natural das coisas?
Essas mulheres tem filhas rebeldes que por causa dessa violência simbólica procuram no sexo uma forma de rebeldia. Mas ao invés do amor livre dos hippies temos a figura da escrava sexual sem dono dos bailes funk. A figura que tem seu valor humano definido com quão bem trepa.
A revolta de hoje é a revolta da forma.
Paralelamente, nos bairros centrais as patricínhas gastam tempo e dinheiro com beleza porque o valor das pessoas é medido assim.
Nesse meio é preciso muita coragem para fazer como a Fernanda Takai e usar uma bota que parece de palhaço num show.
Quantos anos tem a febre do axé music?
Quantas crianças que cresceram ouvindo música pornográfica hoje são adolescentes infelizes porque amor não se define por tipo físico? Quantos relacionamentos vazios em uma vida vazia?
De todas as vezes que me apaixonei, não houve nenhuma em que fosse uma pessoas que eu achasse especialmente bonita.
Mas vamos ao trabalho.
Tanto no centro quanto na periferia, mulheres trabalham ou querem trabalhar (menos as donas de casa de mais de 40 anos).
Até aí tudo bem, o trabalho é a obrigação alienante mais idolatrada de todos os tempos.
O problema é o mito da mulher independente que trabalha, é linda, namora e é feliz.
Acho que o maior problemas é que a violência simbólica impera que o sucesso é necessário e a única felicidade alcançável.
A perfeição que impõe, e a carga é maior para quem? para as mulheres.
Mas o ocidente ainda tem muito que aprender. Não é por ter que cobrir o corpo (que nos revolta porque acreditamos que liberdade é mostrar o corpo no carnaval, apesar dessa ser só outra forma de prisão.) mas por não ter direito a guarda dos filhos, pedir divórcio, trabalhar no que quiser, se quiser. Pela sua palavra valer menos, até em tribunais, pela ausência de leis co0ntra a violência doméstica, etc.

Essa violência simbólica está desde as revistas Nova que dizem que a mulher tem que ser uma máquina sexual, ser bem sucedida finaceiramente e linda, até a igreja que não permite o sacerdócio feminino.

Em uma revista masculina machista chamada VIP, Ailin Aleixo tinha uma coluna chamada A Mulher Sincera e em determinada edição reclamou: Será possível que não é possível ter uma vida sexual normal? Todo mundo tem que ter técnicas, fetiches, fantasias, taras? A liberdade sexual não aceita a liberdade de ser simples? Porque é isso que parece lendo as revistas femininas.

Vivemos numa grande era de hipocrisia e violência simbólica onde se encaixar nos padrões é visto como liberdade. Onde ser promíscuo porque a sociedade manda assim é liberdade ao invés de escravidão. Onde trabalhar é liberdade ao invés de obrigação. Onde todo o passado foi jogado fora como brinquedo imprestável em nome de um frenesi fútil e vazio de significado, e como sempr3e, as mais afetadas são as mulheres.
Sim Felipe. Todas as pessoas são um modus operandi. As contradições estão dentro dele. Universos singulares são aqueles que conseguiram se libertar e por livre escolha vão escolher quem vão ser.

O dia oito de março começou com um massacre por que mulheres exigiam dignidade humana. hoje, fingimos que elas têm isso. Muitas acreditam. Mas outras percebem que nem a velha geração se libertou, nem a nova está indo rumo à autonomia.
Que grades invisíveis definem o que se deve fazer. A violência travestida faz seu trotoir nos programas de TV que vendem cosméticos.
02, Abril 2009 às 4:06 pm
muito bom