Deuses Temperamentais

Em um dos momentos mais difíceis da minha vida não paro com essa postagem frenética. Nenhum dia escapa incólume desde dia 4. às vezes fico pensando no cansaço de um leitor habitual tem ao ver mais um post.
Mas não nos demoremos aqui, que o título do post é o do texto aí de baixo.

Caminhavamos novamente aos campos de comida através das montanhas e da terra irregular. Os Deuses não estavam visíveis, mas poderiam aparecer a qualquer momento. rezei para que os Deuses temperamentais não olhassem para nós e continuamos.Terminamos de escalar os pilares rubros e finalmente chegamos ao altiplano de pedra banca. sim eles tinham reabastecido o altiplano com comida.
Alguns filósofos se perguntavam porque os Deuses se importavam em nos alimentar, se sempre que nos viam nos sacrificam. Será que querem a Justa Paga, como dizem os sacerdotes? Ou são só temperamentais como diz o nome?
Que um pobre trabalhador pode saber sobre os desígnios divinos? Nada. resta buscar comida e esperar que os Deuses Temperamentais não exigissem a Justa Paga.
cuidávamos de nosso trabalho, dentro do poço de água negra quando ele apareceu. Gigantesco. Por mais que os tenha visto sempre me assombro com o tamanho dos deuses. Maiores que as montanhas. É incrível que possam se mover. cientistas dizem que se forem orgânicos a força necessária para bombear seus líquidos corporais seria tão grande que arrebentaria suas peles esponjosas e nojentas. Sem falar na dificuldade de respirar. seria necessário milhões de litros de ar para manter um ser desse tamanho.
Então aconteceu. ele levantou a montanha onde fica o poço como se fosse nada. Agarrei-me à parede deseperadamente à parede lisa do poço. Nós vamos morrer! Um de meus companheiros caiu na água negra e se debatia enquanto sufocava. Não era possível fazer nada a não ser se agarrar.
Depois de uma pequena eternidade de solavancos que arriscavam nos derrubar começou um novo pesadelo.
Ele conjurou acima de nós uma cachoeira inimaginável. O poço começou a subir em meio ao estrondo da água.Tento escalar a parede lisa com a velocidade do desespero.
Uma única coisa martelava minha cabeça “Essa foi a sua vez de se sacrificar por seu povo”
Mas estava alcançando a borda. Poderia me salvar. Mas o Deus assim não quis. Virou a montanha e o lago do poço me arrastou em seu turbilhão. Não sabia onde é em cima ou embaixo. Não vejo nada além de um torvelinho confuso. Tento lembrar a oração que deveria dizer, mas tudo que pude sentir foi pavor. Eu era parte da Justa Paga.

Acordei sobre a planície do inferno. fiquei de pé sobre o metal molhado e procurei me orientar. Me espanto com a proximidade do poço do inferno. Por pouco, muito pouco não tinha caído no negro poço sem volta.
Senti uma grande gratidão por aquele Deus Benevolente, que apesar do medo, e não ter conseguido encara com honra e coragem a Justa Paga, de não ter conseguido recitar a oração, tinha me poupado.
Esse Deus Benevolente não fez isso sem motivo. Ele queria que fosse seu profeta. Que eu levasse sua mensagem de piedade aos bons cumpridores do dever e Justa Paga aos ímpios. Que soubesse através de minha provação que nossas vidas são na verdade dele. Que ele pode revogá-la a qualquer momento.
Por isso, crianças, estou aqui hoje para transmitir essa mensagem.
Cultuem ao Deus Benevolente que perdoa nossa covardia. Cultuem ao Deus Benevolente que é justo e leva com a Justa Paga apenas os ímpios. Cultuem ao ÚNICO Deus de verdade em vez de Demônios com suas núvens tóxicas e Criaturas do Caos.

Escrevi esse texto para falar da lógica religiosa (ou falta de).
com isso quero dizer APENAS que o pensamento religioso comum é ilógico e se baseia em um monte de premissas inconsistentes e falácias. Não julguem um ataque à religião A, B ou C. É ao pensamento religioso que todas elas compartilham.

1 – Os que morreram se tornam ímpios porque foram castigados, ao invés de serem castigados por serem ímpios.
Esse pensamento é raltivamente comum, em casos de morte violenta. Já que deus o “levou” é porque não era tão bom assim. Esse pensamento só circula à boca muída, mas que circula circula…

2 – Após a confissão de fé se abandona a busca de um explicação racional.
Precisa dizer mais? Se desiste de tentar entender deus. tudo que esse faz é auto justificado.

3 – Imposição da ética humana ao plano divino.
Imputa-se os padrões éticos humanos aos deuses. Ao mesmo tempo que Deus não se explica como está dito no item anterior, ele obedece aos valores do povo que o cultua e esses são os valores com que se interpreta seus atos. Independente de quais são os motivos da ação divina.

4 – Uso da ciência negativa para provar a divindade.
Se usa a ciência como prova de que algo é impossível, para provar a caracteriza divina. se a ciência não explica é uma prova do poder e do caráter divino.

5 – Falta de respeito á liberdade.
Depois da confissão de fé, da verdade absoluta bater na porta passa-se a usar um tanto de verbos no imperativo…

A verdade:

Deus sou eu.
Essa paisagem fantástica é a minha cozinha.
O narrador é uma formiga.

pilares rubros e altiplano de pedra branca = mesa com tampo de mármore e base tubular vermelha
poço da água negra = um caneco de café com aquele restinho
planície do inferno = cuba da pia, o poço é o ralo

No meio da noite fui até a cozinha fazer café e lavei o caneco afogando algumas formigas.
Sem nenhuma pretensão de fazer nada além de um pouco de café.

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