De novo comentando blogs e tendo ataques na veia poética…
Dessa vez a Janete do Planos e Promessas. Comentando o post Levemente Amargo eu resolvi ficar muito amargo…
Mas não é o mundo o culpado por esse amargor?
Tem horas que tudo que queria é um pouco de doce para acreditar que existe solução.
Mas não é o próprio mundo que se regozija em espezinhar, em destruir tudo que é feito da matéria dos sonhos, em passear de trator pelos jardins que finalmente conseguimos fazer florir em pleno inverno?
Para depois nos exigir o riso fácil das propagandas de refrigerante e a perfeição das propagandas de margarina.
Para depois nos esfregar na cara um culto à vitalidade tropical, à uma pele sem cicatrizes por nunca ter sido tocada por nada.
Nos oferecer uma vida sem riscos porque a fila anda, os desgraçados e desvalidos não são importantes, os políticos são ruins sem exceção, o estudo só serve para inserção no mercado de trabalho e vender a alma por certo tempo para o patrão pelo maior preço possível é a maior ambição que existe.
Só carrega cicatrizes no coração quem tem coragem de ter um coração de carne, insubstituível que bombeia sangue, ao invés dessas peças de plásticos bombeando essa mistura rala de água com kisuco de vermelho.
Se isso é um desabafo não sei. Sei que tanto a tristeza enlatada dos góticos e emos quanto a alegria pasteurizada dos sufistas e das patricinhas não são para os seres da minha estirpe.
Não sei também qual é a minha estirpe, por isso chamei provisoriamente de quixotesca.
Sei que não quero esse amargor e essa consciência e distâncias seguras. Mas também que só quero abrir meu coração para corações de carne.
Sei que não quero que a minha namorada seja a mais linda e glamourosa da festa, quero que ela seja a com mãos sujas de terra ao cuidar do nosso jardim de inverno ao meu lado.
Sei que apanhar como apanham os que tem corações que não são de lata não é fácil e tem efeitos colaterais mais amargos que o absinto, mas é a única maneira que consigo viver.
PS
Novas páginas em Alfa, Beta, Gama