Quando Kubrick abre o filme com essa sequência, não sei se dá pra perceber que é um dos melhores filmes já feitos.
Clockwork Orange fala sobre violência. Sim. Tem um protagonista tão canalha que nem caído em desgraça temos pena dele. Aliás, gostaríamos de bater nele com suas ex-vítimas, e talvez aí esteja a genialidade do filme.
Ao desfazer o método Ludovico no final, Kubrick deixa claro que não há herói. Nem o delinqüente, nem as vítimas, nem o governo. Que o mundo é ultra-violento, não só Alex. Que o mundo é egoísta e mesmo as boas pessoas, diante da possibilidade de vingança caem em tentação.
Quando Alex passa pelo método Ludovico, mais que se tornar vítima, se torna indefeso. O assustador em Clockwok Orange não é a violência, mas a violência sem remorso contra alguém indefeso que está na delinqüência de Alex, no sistema prisional, no método Ludovico, nas vinganças de suas vítimas e por fim na “reabilitação” de Alex que seria solto tão ruim quanto antes no mundo.
Isso é Clockwork Orange.Respiração pesada e olhar duro.
Violência por todos os lados. Até do lado dos contra a violência. A genialidade do filme é bater em todo mundo. Sem favoritismos. A genialidade é não apresentar solução, mas descortinar um problema. Um problema que não está em Alex ou no sistema, mas no ser humano. O ser humano que numa negação vitoriana do seu lado animal, numa entrega primitiva a ele ou numa adestração institucionalizada da violência continua à sua merce.
Jung sempre disse que reprimir nosso lado negro só faz dele mais forte. Concordo. Reconhecer sua existência como parte de nós, por mais que isso seja ruim ao nosso orgulho da civilização e andar com ele à nossa frente, sob nosso olhar atento e a melhor saída.
23, Maio 2008 às 11:58 pm
Eu gosto de Laranja Mecânica….
“Concordo. Reconhecer sua existência como parte de nós, por mais que isso seja ruim ao nosso orgulho da civilização e andar com ele à nossa frente, sob nosso olhar atento e a melhor saída.”
Ui.. aqui vc falou e disse.
Fiquei até sem comentário pra fazer… =]
27, Maio 2008 às 2:12 pm
um dia eu vou ver esse filme…